A inclusão tem pressa

07/04/2018


"Não estamos preparados". 

Essa é a fala mais recorrente quando se trata de inclusão escolar. A escola não está preparada, os professores não estão qualificados, o espaço físico da escola não está adaptado, a comunidade escolar como um todo não se sente apta a receber uma criança com deficiência, especialmente aquela com restrições e demandas mais incomuns.

De fato não estamos e nunca estaremos totalmente preparados para lidar com as diferenças, para lidar com estes pequenos entes destoantes que insistem em chegar à escola desafiando nossas práticas, desafiando nossas normas, nossas metodologias, nosso espaço e nossas possibilidades.

Quando a Rebecca nasceu, nós também não estávamos preparados para ela. Se me perguntarem agora, depois de dois anos, se enfim me sinto preparada, a resposta também será NÃO. Esse preparo, na verdade acontece junto com ela, através dela, por ela, na convivência com ela... É a Rebecca quem me mostra o que funciona e o que não funciona, o que é ajustável e o que é inviável, o que pode ser mantido e o que precisa ser mudado para que a nossa vida inclua o viver tão singular dela... para que a nossa casa seja um espaço, aos poucos pensado também para ela, para as necessidades dela. Não tivemos tempo de nos preparar, antes de começar a conviver com as diferenças da nossa filha. Nosso preparo é diário, contínuo e sempre inacabado porque acompanha uma demanda constante de mudanças e reestruturações, como ao meu ver deve ser a inclusão na escola: um incessante preparo/ reparo em busca de um acolhimento cada vez maior, cada vez mais justo.

Mais importante do que estarmos preparados, é a preocupação de estarmos nos preparando. 

Uma escola pode não ter os recursos necessários para atender da melhor maneira uma criança com deficiência. Mas uma atitude inclusiva passa pela acolhida incondicional, e principalmente pela vontade de transformar esta escola num espaço apropriado. É pensar que, se essa escola não comporta QUALQUER criança, então este espaço é excludente. E para que seja diferente disso, precisa se reinventar.

A inclusão tem pressa porque as crianças com deficiência de hoje não podem esperar pelas escolas ideais do amanhã. As crianças com deficiência de hoje não podem esperar até que as escolas tornem-se espaços com acessibilidade plena, que todos os professores estejam qualificados para atendê-las, que o governo dê subsídios à inclusão, que todas as condições sejam favoráveis, para que só então sejam aceitas na escola regular. A inclusão é urgente e esta transformação, tão necessária nos espaços, nas metodologias, nos instrumentos avaliativos, na formação dos educadores, na consciência social, esta revolução que a inclusão demanda precisa acontecer não antes de se fazer a inclusão mas enquanto se faz a inclusão. Porque quem ainda não faz parte precisa ter a chance de vir a fazer parte hoje. Quem não faz parte está à margem, está excluído. A inclusão tem pressa porque a exclusão existe e persiste muitas vezes de forma velada. A inclusão é necessária para se contrapor à exclusão em todas as suas formas. 

                          A inclusão é urgente! 

                                                    Incluir é pra hoje!

*imagem: https://ablemagazine.co.uk/mum-petitioning-changes-restraining-disabled-children/


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