Como se aproximar de uma criança com deficiência?

04/10/2017

12 dicas de como estabelecer uma relação de respeito e inclusão.


Lidar com crianças com deficiência pode ser extremamente desafiador. A incerteza e o medo diante das diferenças faz com que muitos evitem este convívio. Nem sempre essa recusa se dá por discriminação, mas justamente pelo receio de agir de maneira inadequada. O medo de falar ou fazer algo que cause constrangimento à criança ou a seus pais, o medo de parecer preconceituoso faz com que muitas pessoas se afastem, sem perceber que essa atitude pode ser ainda mais discriminatória do que comentários ou falas descabidas. O afastamento é preconceituoso por partir do conceito pré concebido de que esta relação (o relacionamento com uma criança com deficiência) é mais difícil ou inviável do que a relação com uma criança sem deficiência. Esse medo é compreensível e ele só é quebrado e vencido conforme vão se criando espaços e oportunidades para estas novas relações.

Não existem regras na convivência com as crianças com deficiência. A não ser AMOR e RESPEITO. Essas valem para todo mundo e contra elas não há restrições. Mesmo assim, separamos com carinho algumas dicas que ajudam a tornar esta relação mais fácil, natural e generosa:


1-Trate-a da mesma forma como você trataria uma criança sem deficiência da mesma idade: com bondade e respeito.


Se a criança com deficiência demonstrar dificuldade ou desconforto com qualquer situação, ofereça-se para ajudar da mesma forma que você faria com crianças típicas: "Você precisa de ajuda com isso?".
À medida que você se aproximar, naturalmente aprenderá a melhor maneira de se comunicar com ele ou ela.


2- Saiba mais sobre a deficiência da criança:

Demonstre interesse em conhecer suas necessidades e limitações, mas sem ser invasivo. Você pode buscar informações com outros adultos que tenham a mesma deficiência, ou com os próprios pais da criança, se houver abertura para este diálogo. Pesquise organizações administradas por adultos com deficiência, leia livros relevantes sobre o assunto. A própria criança, muitas vezes, é capaz de fornecer informações sobre suas necessidades diretamente. Faça uma autoanálise, no entanto, a respeito da real intenção de suas perguntas. Se forem movidas meramente por curiosidade, é melhor que nem sejam feitas. Pergunte somente se e quando tiver interesse em se informar, em ajudar ou em demosntrar empatia.


3- Não subestime sua capacidade

Isso não significa olhar para a criança e ignorar sua deficiência. As limitações existem e devem ser percebidas e respeitadas. Mas normalmente, quando criamos expectativas positivas sobre uma criança (isso funciona com adultos também, acredite!) e transparecemos isso, a tendência é que ela busque atender a essas expectativas. Se você acredita que a criança é capaz de ir além, ela mesma se sentirá confiante para tentar superar obstáculos. Torne-se um modelo de comportamento respeitoso, e a criança irá segui-lo.


4- Fale com a criança, mesmo que ele ou ela não seja capaz de responder.

Há muitas crianças que, apesar de não-verbais, são capazes de compreender tudo e todos que se dirigem a elas, mesmo que não respondam do modo convencional. Outras crianças, porém, dependendo do tipo de compromentimento intelectual que apresentem, podem não ter condições de compreender o que lhes é dito, mas certamente ficarão felizes e serão estimuladas com esta tentativa de comunicação. Fale primeiramente com a criança e não com o cuidador ou reponsável, presumindo que ela por si só não conseguirá responder. Use um tom de voz apropriado e evite infantilizar a fala se estiver diante de uma criança maior. Tente ouví-la primeiro. Se ela souber se expresssar oralmente será mais fácil identificar o nível de entendimento e assim adequar o vocabulário.


5- Respeite as diferenças

Não permita que uma criança se sinta envergonhada por sua cadeira de rodas, ou por sua prótese ou mesmo por seu comportamento, por mais atípico que possa parecer. Se a criança não estiver machucando ninguém, ele ou ela não tem motivos para se envergonhar. Em vez de ensinar as crianças com deficiência a parecerem normais, ensine os outros a aceitarem as diferenças.


6- Faça sua parte para promover a inclusão desta criança na comunidade.

Encontre maneiras de garantir acessibilidade em atividades promovidas pelos diferentes grupos a que possa pertencer, como a igreja, a escola, a vizinhança... Por exemplo, se você estiver organizando uma festa e tiver entre os convidados uma criança com deficiência, não se esqueça de levar em conta suas necessidades de mobilidade. Escolha um lugar onde haja rampas de acesso e banheiros adaptados. Proponha a criação de uma sala agradável e silenciosa na escola em que a criança estiver matriculada, um local onde ela possa fazer uma pausa num momento de ansiedade. Pergunte à própria criança como determinadas situações podem ser mais acessíveis a ele ou a ela. Eduque os colegas dessa criança para que eles possam se tornar parte da comunidade de apoio. Ensine-os sobre sua deficiência e diga-lhes como se comportar em relação às diferenças.


7- Promova o encontro e a convivência com outras pessoas com deficiência.

É importante que a criança com deficiência esteja no meio de crianças típicas mas que também se veja rodeada por outras crianças e adultos que compartilhem das mesmas limitações. Essa vivência é importante para que a criança perceba que não está sozinha, que há outras pessoas com deficiência e que cada uma tem experiências únicas para trocar.


8- Faça com que a criança se veja representada na literatura e nas telas

Há muitos filmes e livros infantis que abordam a inclusão e que servem como excelente recurso para garantir que as crianças com deficiência percebam seu lugar e sua importância no mundo. Confira as dicas de livros sobre inclusão na nossa Biblioteca.


9- Não demonstre pena

Evite usar uma linguagem corporal que denote pena ou que demonstre compaixão pela criança. Um olhar de admiração e uma postura positiva, de encorajamento, são sempre bem vindos em qualquer situação.


10- Seja paciente para ouvir.

Pode ser tentador acelerar uma conversa ou terminar as sentenças de uma criança com dificuldades na fala, mas fazê-lo pode ser desrespeitoso. Sempre deixe que ela fale e trabalhe no seu próprio ritmo, sem pressioná-la a falar, pensar ou agir mais rápido do que pode. Além disso, se você não entender a fala da criança, não tenha medo de fazer perguntas. Lembre-se de que algumas crianças precisam de tempo extra para processar a fala ou transformar seus pensamentos em palavras faladas (independentemente da capacidade intelectual). Está tudo bem se houver longas pausas na conversa.


11- Reconheça que algumas deficiências não são visíveis.

Se você se deparar com uma criança, aparentemente típica (sem deficiência) ocupando um lugar reservado a pessoas com deficiência não enfrente nem olhe com ares de acusação para os pais. A criança pode ter uma deficiência não aparente, uma das chamadas "deficiências invisíveis", aquelas que não podem ser vistas imediatamente mas que, ainda assim são deficiências. Procure ser gentil e maleável com todos. Não há como conhecer a real situação de uma criança apenas olhando para ela.


12- Coloque-se no lugar da criança.

Será mais fácil interagir com uma criança com deficiência se você tentar se imaginar no lugar dela. Pense sobre como você gostaria que as pessoas te tratassem se estivesse nesta situação. Procure não se concentrar na deficiência, mas sim na criança. Não é importante que você descubra a natureza da sua deficiência. É importante que você a trate igualmente, fale com ela como faria com qualquer outra criança e a perceba como indivíduo cujo lugar no mundo cabe a cada um de nós assegurar.



Dicas traduzidas e adaptadas por One of a Kind.

Os artigos na íntegra você encontra aqui:


  1. HOW TO INTERACT WITH PEOPLE WHO HAVE DISABILITIES. Disponível em: <https://www.wikihow.com/Interact-With-People-Who-Have-Disabilities>

  2. HOW TO BEHAVE WITH DISABLE PEOPLE: A NEW GUIDE TELLS YOU WHAT TO DO AND WHAT NOT TO DO. Disponível em :< https://www.independent.co.uk/life-style/health-and-families/features/how-to-behave-with-disabled-people-a-new-guide-tells-you-what-to-do-and-what-not-to-do-10436121.html>

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